Vini Ferreira
UX Core
IAProduct DesignDesign OpsStorybookClaude Code

UX Core

Desenvolvido em parceria com Plathanus

Contexto e desafio

UX Core

O UX Core é um método que criei para acelerar a entrega de projetos de produto digital na Plathanus. Tomei a frente desse estudo, que prometia acelerar a entrega. À medida que trabalhava nos projetos dos clientes, eu deixava o UX Core mais robusto. Eu e outro UX/UI Designer do time aplicamos o método e víamos na prática o que funcionava e o que não funcionava. O UX Core tem duas peças: um sistema base que inicializa e gerencia cada projeto novo, reunindo biblioteca de componentes, documentação no Storybook e protótipos num só lugar; e uma skill que escrevi do zero para conduzir a IA na construção das telas, mantendo o design system consistente em cada uma delas. O resultado é prototipação de alta fidelidade entregue em código.

O ponto de partida

A gente já usava IA para acelerar as etapas estratégicas dos projetos, como descoberta, estudo de mercado e arquitetura da informação. A etapa seguinte, de montar o design system e prototipar todas as telas em alta fidelidade, continuava toda manual e tinha virado a mais longa do cronograma. A entrega era um Figma bem organizado e documentado, porém fora do código: o dev precisava traduzir tudo linha a linha, e o cliente validava sem conseguir usar de fato.

Para o time de design

  • A construção do design system e das telas consumia a maior parte do cronograma.
  • Cada tela de alta fidelidade era desenhada do zero.
  • A documentação era mantida à mão, em paralelo à biblioteca de componentes.

Para o desenvolvimento

  • Os valores eram extraídos no Dev Mode, elemento por elemento.
  • Cada componente era interpretado e reescrito em código do zero.
  • Diferenças entre o desenhado e o implementado só apareciam depois de construído.

Para o cliente

  • O protótipo era chamado de alta fidelidade, mas ele não conseguia clicar num campo e digitar.
  • As interações eram simuladas encadeando telas.
  • Ele aprovava uma representação do produto sem saber como ela se comportaria de verdade.

Desafio

Sentindo que algumas etapas precisavam de entregas mais ágeis, a Plathanus me passou esse desafio. A forma que encontrei para resolver foi aplicar IA nas etapas que ainda não usavam. O desafio era ter cuidado para encurtar o prazo mantendo a consistência do design system e o controle do designer sobre cada decisão visual.

Processo

Mapeamento das etapas

Comecei separando o que já estava resolvido com IA nas fases estratégicas do que continuava manual. Ficou claro que o gargalo estava na repetição: a mesma decisão visual precisava ser aplicada em dezenas de telas, uma a uma.

Primeira tentativa: IA dentro do Figma

O caminho mais natural era manter o Figma no centro e trazer a IA para dentro dele. Conectei o Claude Code ao Figma via MCP e testei. Funcionou, mas cada tarefa consumia tokens demais para o que entregava, e fazendo a conta para um projeto inteiro, o custo ficava inviável. Foi aí que testei a hipótese contrária: e se, nessa etapa, o Figma saísse do caminho?

A tela âncora

A decisão mais importante do método foi definir o que a IA não faria. Se a direção visual ficasse com ela, cada projeto sairia com cara genérica e o cliente aprovaria algo que nenhum designer pensou. Por isso, desenho à mão no Figma uma tela complexa do projeto, com a identidade visual do cliente. Escolho uma tela complexa de propósito: quanto mais elementos ela tem, mais decisões ficam registradas nela. O cliente valida essa tela, e só depois a IA extrai dali o design system inteiro.

A virada: o projeto como código

Tirei o Figma da etapa de produção e reorganizei o trabalho em três partes, todas em código: uma pasta que cadastra os componentes e faz o papel da biblioteca, o Storybook lendo essa pasta como documentação, e as telas construídas direto em frontend como protótipo.

As regras de criação

Escrevi uma skill com as regras do projeto: conferir a biblioteca antes de criar qualquer coisa, esperar aprovação, respeitar a hierarquia do atomic design e registrar cada tela nova na página de protótipo. Foi ela que tornou o trabalho da IA previsível dentro do sistema e sem devaneios.

Testado em projeto real

Cada versão do método foi colocada à prova em projetos de clientes. Eu construía e ajustava, e outro designer do time aplicava nos projetos dele, trazendo o que travava na prática. Quase tudo que separa a primeira versão da atual nasceu desses problemas reais.

De método a produto

Depois de três projetos entregues assim, os limites ficaram visíveis: clonar o projeto anterior deixava sobras, testar uma alteração sobrescrevia o que já estava aprovado, e qualquer pessoa com o link via tudo. Transformei o método num produto, o UX Core, com base limpa para cada projeto, playground para testes e acesso por usuário.

Resultados

5

projetos entregues com o método, 3 conduzidos por mim e 2 por outro designer do time.

75%

de redução no tempo de entrega: de cerca de 3 meses para 3 semanas.

100%

das telas entregues em código, com os componentes documentados no Storybook.

Soluções

Uma tela à mão define o projeto inteiro

A direção visual não é pedida à IA. Desenho no Figma uma tela complexa, à mão, com a identidade visual do cliente, e é essa tela que o cliente valida. A IA lê dali os tokens de cor, espaçamento, raio, tipografia e ícones e monta o design system. O designer decide como o projeto vai parecer, a IA se encarrega de repetir isso com consistência em todas as telas seguintes.

Uma tela à mão define o projeto inteiro

A skill confere a biblioteca antes de criar qualquer tela

Descrevo o contexto do projeto e tudo o que a tela precisa ter. A skill compara o pedido com a biblioteca e devolve duas listas, o que já existe e o que precisa ser criado, e nada é gerado antes da aprovação. Ela também respeita a hierarquia do atomic design: antes de criar um botão com ícone, verifica se a biblioteca de ícones existe, porque o átomo vem primeiro.

A skill confere a biblioteca antes de criar qualquer tela
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Aprendizados

O objetivo era ganhar tempo, e vieram junto dois ganhos que eu não tinha planejado: frontend pronto para o desenvolvimento e um protótipo que o cliente usa de verdade. Os dois foram efeito de mudar o formato da entrega.

A velocidade veio das regras. A IA sozinha gera telas rápido, mas sem a skill obrigando a conferir a biblioteca, pedir aprovação e respeitar a hierarquia dos componentes, o resultado vira um amontoado de telas soltas.

O Figma segue no processo como o lugar onde a direção visual é decidida. Tirei ele apenas da etapa em que tinha virado gargalo. O próximo passo segue a mesma linha: aproximar os protótipos do código de produção com React e Tailwind.

Entrega final

O UX Core liga quem constrói o produto a quem vai viver dele. O time ganha organização, automação e velocidade. O cliente recebe a biblioteca de componentes documentada no Storybook, o frontend em código pronto para o desenvolvimento e um protótipo que se comporta como o produto final.

Cada projeto iniciado no UX Core entrega a biblioteca de componentes, a documentação do design system, os protótipos navegáveis com comentários do cliente, o controle de acesso por usuário e categoria e a skill com seus modos de trabalho: Desktop, Mobile, Playground e Análise de Playground.

Outros projetos

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